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O mundo parou por causa de um vírus que, infelizmente, assola a todos indiscriminadamente. Como ele pode estar em qualquer lugar, os cuidados para conter seu avanço têm feito com que a sociedade se reorganize de outras maneiras: famílias agora estão ficando mais tempo em casa, estudantes não têm ido à escola, profissionais têm trabalhado home office, algumas salas comerciais estão quase vazias.

Mas para aqueles que acreditam que a sociedade, o mercado de trabalho e os empresários aprenderam com o caos gerado por esta crise da saúde, proponho uma reflexão simples: aprender dentro do caos não é tão difícil quanto pode parecer. Desafiador mesmo é evoluir em tempos de paz. E no segmento logístico isso não é diferente.

Explico melhor.

A pandemia gerou no segmento logístico dois movimentos simultâneos: por um lado a expectativa de menor previsibilidade de demanda; por outro, o oposto: uma maior previsibilidade de demanda. No primeiro caso, situações decorrentes da queda do consumo no varejo (já que shoppings, centros comerciais e lojas estão fechadas há mais de dois meses); e no segundo caso, o contrário: o aumento do consumo de produtos por canais digitais, além de produtos de primeira necessidade (comprados exclusivamente pela internet).

Segundo dados de uma empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, as compras pela internet dispararam 40% apenas nos primeiros 15 dias de março. Além do aumento expressivo das vendas de produtos de higiene e saúde, especialmente no mês de março, outras categorias ligadas ao momento de quarentena apresentaram crescimento. Artigos para casa, eletrodomésticos/ventilação, suplementos/esporte e lazer, móveis/construção e decoração são alguns deles.

Esses produtos adquiridos estão armazenados em condomínios e galpões logísticos; os que ainda não foram comprados permanecem guardados para em breve deixar esses estoques.

Em razão desse aumento de consumo, o setor logístico tem um papel crucial na economia como instrumento estratégico para se regular a reposição adequada no varejo. Além disso, inteligência tecnológica se fez necessária para equilibrar os níveis de estoques de forma eficiente, com controle.

Não por acaso, também foi despertada nos fornecedores a ação demandada pelos consumidores de “quick response”, ou seja, as respostas imediatas: as entregas rápidas para os pedidos realizados. Afinal, quem está em casa aguardando algo que comprou tem ainda mais pressa e expectativas do que antes.

Operações customizadas (como a busca de produtos de proteção em relação à Covid-19) demonstraram necessidade de melhor planejamento para situações de crise. Aguçou-se ainda nos players logísticos quase que uma obrigação contínua de integração entre varejo e indústria, com a logística entre os dois em posição estratégica.

O setor logístico está pronto para dar suporte em qualquer situação

Alocação de tecnologia como ação crucial para se evitar:

– Na oferta: rupturas na cadeia de suprimentos;
– Na demanda: resposta adequada para um novo comportamento do consumidor decorrente de demanda reprimida;
– A intranacionalização poderá ser reação da indústria para explorar produtos pouco produzidos no Brasil, gerando oportunidades no segmento logístico;
– A imprevisibilidade da retomada da economia também não deverá alterar a realidade de negócios logísticos.

Inovações elevarão as competências dos players logísticos quanto à:
– Operações inovadoras;
– Novas tecnologias em prol de melhor produtividade e maior eficiência nas atividades;
– Análise inteligente de dados;
– Sustentabilidade;
– Segurança na saúde (valorização da vida em comunidade);
– Interface eficiente entre demanda pelo e-commerce e estocagem.

O que podemos aprender para a vida

Voltando à premissa inicial deste artigo, acreditar que o mundo ou o Brasil está aprendendo com a crise causada pela Covid-19 é ver a situação com lentes míopes no sentido de que o mercado sempre soube da importância de criar ou estabelecer medidas de segurança e saúde para seus negócios, empresas e colaboradores.

home office já existia antes da crise (e era uma tendência de crescimento iminente); o que a crise fez foi apenas “antecipá-lo” em maior escala e “impor-se” àqueles que ainda não estavam atentos a essa tendência. A busca por processos mais enxutos de trabalho e operação também já existia antes da pandemia; os empresários já tinham conhecimento da importância de higienização de seus produtos bem como de oferecer uma maior segurança ao seu quadro de funcionários, com investimento em EPIs, treinamentos etc.

Como dito anteriormente, o setor logístico foi o que menos sentiu os reflexos negativos dessa crise: embora o segmento automobilístico e o setor de varejo de calçados (por exemplo) estejam com as portas fechadas, seus estoques permanecem armazenados e, quando a situação se normalizar ou pelo menos ocorrer a retomada consciente de algumas atividades econômicas no estado de São Paulo (conforme anunciado pelo governador do estado), também será imprescindível que esses estoques existam para abastecimento das redes de comércio e varejo.

O que o novo Coronavírus fez, efetivamente, foi despertar a sociedade para pensar que podemos (e devemos) antever os efeitos das crises de maior ou menor impacto; que não precisamos agir ou reagir apenas quando o caos se instala. É preciso colocar em prática o que já sabemos, sobretudo nos momentos de paz, cientes que o que parece estar bom hoje nada mais é do que o inimigo do ótimo.

Quais medidas, portanto, poderiam ser implementadas de imediato sem que fosse necessário surgir outro “vírus” amanhã? Em quais situações os empresários no segmento logístico poderiam impulsionar as ótimas ideias que já têm?

Se ações forem tomadas no presente (pelo conhecimento e experiência acumulados em anos), será possível vivenciar um futuro mais promissor e feliz a todos, com menos perdas e danos tornando, enfim, os negócios menos vulneráveis aos vírus desta vida.


Texto escrito por: Alcebíades Cavalcanti – Diretor de Industrial e Logística

Alcebíades Cavalcanti

Profissional sênior do segmento imobiliário logístico e industrial, com larga experiência no setor, habilitado a contribuir com o processo decisório corporativo, tendo exercido cargos de liderança e diretoria em empresas reconhecidas e respeitadas no mercado imobiliário corporativo como Ocupantes, Jones Lang Lasalle e Colliers International. Atuação em diversos processos de negociação e fechamento de negócios imobiliários em todo território nacional para companhias nacionais e multinacionais como Procter & Gamble (P&G), Adidas, WalMart, Mercedes Benz, Cetelem, EBM Incorporações S/A, Ciser, Vicunha Têxtil, Cosan, Philips, Unisys, Exterran, Rolls Royce, Aker Solutions, Halliburton, Comgás, Nestlé, BRF, Maersk, Atlas Schindler, ELOG, Faurecia, dentre outras.

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