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O Rio de Janeiro vive um eterno looping de crises. Embora pareça pessimista falar assim, o estado ainda sofre as consequências dos legados deixados pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas (estado e município quebrados e convivendo diariamente com escândalos de corrupção que tomam manchetes de grandes jornais).

O setor de óleo e gás, mesmo sendo bem administrado, não consegue pagar a conta se considerarmos o valor do barril. O turismo, que antes sofria por causa da violência e pela falta de infraestrutura, agora teve a Covid-19 adicionada à lista.

Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), publicado em maio, o setor de turismo no Brasil já perdeu mais de R$ 62 bilhões desde o início da pandemia. O segmento foi fortemente impactado pela intensificação de medidas visando à redução do ritmo de expansão da doença, como o isolamento social e o fechamento das fronteiras em diversos países. Por consequência, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, principais focos da doença, concentram o maior prejuízo até agora: R$ 22,60 bilhões e R$ 8,86 bilhões respectivamente.

De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o volume de serviços prestados no Brasil teve queda recorde de 6,9% em março, na comparação com fevereiro. Esse grande tombo no setor de serviços também atingiu vários outros, desencadeando o chamado efeito dominó.

Apesar dessa acentuada crise, o Rio de Janeiro – com sua beleza e história – vem sobrevivendo ao longo de anos, já que o potencial da cidade é gigantesco. Darei um exemplo: somos considerados um povo de festas, que recebe a todos de braços abertos, de maneira sempre feliz, independente dos problemas que enfrenta. Esse jeito carioca de ser se assemelha à vista dos andares corporativos, responsáveis por causar o impacto nos tomadores de decisão. Geralmente recebemos a informação de que a vista do condomínio não importa, mas quando os locatários entram no andar e se deparam com o Pão de Açúcar, a Marina da Glória, a Bahia de Guanabara e/ou Cristo Redentor, a opinião de que a vista do espaço não importa é deixada automaticamente de lado.

E quanto ao “novo normal”?

Antes de falar sobre o termo “novo normal”, segundo a Doutora e Mestra pela Universidade de São Paulo e docente do Insper, Maria Aparecida Rhein Schirato, deve-se começar por um conceito anterior: o de comum. Que, na verdade, é como um: o que o outro tem de mim e que me identifico; e o que tenho do outro e que ele se identifica.

Segundo ela, a construção de um padrão de comportamento vem desse jogo de identificação exitosa. “O novo normal, na verdade, seria a proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência”, explica.

Voltando ao Rio de Janeiro, assim como qualquer grande metrópole, tudo por aqui é setorizado e, certamente esse “novo normal” poderá nunca chegar às comunidades cariocas. Mas como a discussão aqui não é política, é preferível falarmos do setor no qual sou especialista.

Fato é que já existiram outras epidemias na cidade, mas pela falta de informação, estrutura, tecnologia e até por não termos tantas mortes, nunca fomos capazes de elaborar protocolos de convivência.

Para exemplificar, as pessoas que vivem em países muito frios conhecem bem o chamado “kit neve”, composto por gorro, cachecol, luva, bota, capote e lenço de papel. Sem esse kit, a pessoa está absolutamente desprotegida e corre sérios riscos de ficar doente.

Desde que a pandemia se instalou no Brasil, já adotamos máscaras como acessório indispensável para o convívio social e profissional, temos mantido certa distância uns dos outros, alguns usam luvas e não entram em casa com os mesmos calçados usados na rua.

Trazendo à realidade atual, o que está sendo proposto, agora, é o “kit Covid”. Um kit de segurança não apenas pessoal, mas que também fará parte, obrigatoriamente, do consumo de várias cadeias de negócios.

Fatalmente os gestores condominiais precisam rapidamente atender aos protocolos que estão surgindo e criar documentos de convivência seguindo as orientações dos órgãos competentes e reguladores.

Vejo que os empreendimentos classe A e B já estão se adequando mais facilmente ao “novo normal”, mas me preocupo com os empreendimentos classes C, onde o proprietário geralmente é pessoa física e o síndico é um dos proprietários, e muitos deles não estão preparados para atender prontamente uma situação de pandemia. Desses ainda não sabemos como será e quem fiscalizará o retorno.

No ambiente interno das empresas, muitas devem readequar o layout de trabalho para manter seus funcionários mais distantes uns dos outros; os que não conseguirem deixarão parte da equipe em home office (como já tem acontecido). Isso vai acontecer gradativamente até a retomada integral do mercado.

Em outras palavras, entraremos em um novo padrão de normalidade. E essa normalidade é o padrão que garante a sobrevivência dentro de um grupo. Apostar em um novo modelo de vida e trabalho após o fim deste cenário pandêmico, por mais assustador que seja (já que muitas pessoas resistem à mudanças), deve ser encarado como uma possibilidade concreta. Deve estar alinhada à ideia da retomada do crescimento da economia, de melhores relações sociais e profissionais, e da esperança real de mais uma vez sobrevivermos (e sairmos mais fortes) desse looping de crises.


Texto escrito por: Carlos Calzavara, Diretor de Negócio da Filial Rio de Janeiro da Realtycorp

Carlos Calzavara é formado em Administração de empresas e acumula mais de 8 anos de experiência no mercado imobiliário. No ano de 2018 assumiu o setor de novos negócios da RealtyCorp no Rio de Janeiro e Captou mais de 30 mil m² de lajes de escritório. Em 2019 fez transações relevantes no Edifício Ventura Corporate Towers.

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