Em 2020, o panorama do trabalho passou por uma revolução inesperada. No começo de março, fomos compelidos a deixar para trás os nossos escritórios confortáveis e os espaços de trabalho designados, e a transferir as nossas operações para dentro de casa. Com isso, nos vimos divididos entre as tarefas domésticas e as responsabilidades corporativas, tudo no mesmo local.
Passados três anos, no cenário pós-pandêmico no qual o trabalho remoto se consolidou como uma prática comum, empresas que um dia adotaram uma abordagem voltada para a flexibilidade dos colaboradores, agora estão redefinindo suas estratégias.
A exemplo disso, de acordo com notícia da CNN Brasil (07/08), a própria Zoom, pioneira em revolucionar o trabalho remoto durante os estágios iniciais da pandemia, surpreendentemente está solicitando que seus funcionários retornem ao escritório.
O paradigma que surge é o da “abordagem híbrida estruturada” introduzido pela empresa. De acordo com essa nova diretriz, os funcionários que residem nas proximidades dos escritórios são solicitados a comparecer presencialmente dois dias a cada semana. A justificativa reside na percepção de eficácia dos serviços de videoconferência, uma expertise pela qual a Zoom se notabilizou.
Em comunicado recente, a empresa expressou seu compromisso em utilizar suas próprias tecnologias para impulsionar a conectividade global e a eficiência operacional dos funcionários, por meio da já consagrada plataforma da Zoom.
Essa abordagem demonstra uma busca pela otimização das interações profissionais, mesmo em um ambiente no qual a flexibilidade de trabalho é agora um valor profundamente enraizado.
Empresas tecnológicas avançam com estratégia híbrida de trabalho
Alinhando-se a uma tendência crescente entre as empresas do setor, a Zoom segue a mesma direção de outras gigantes da tecnologia, como Google, Salesforce e Amazon. Essas empresas também estão implementando políticas semelhantes de retorno aos escritórios.
Essa movimentação representa uma distância considerável da mentalidade predominantemente amigável ao trabalho remoto, que foi amplamente promovida durante o auge da crise sanitária. Leia também: Trabalho presencial é o preferido das empresas no pós-pandemia
No entanto, é compreensível que essas empresas possam encontrar resistência, visto que os colaboradores se habituaram a altos níveis de flexibilidade em suas rotinas diárias.
O conflito de interesses se acentua por meio de estudos que demonstram a divisão de opiniões entre gestores e colaboradores quanto aos impactos do trabalho remoto na produtividade.
A resposta a essa indagação, por mais paradoxal que seja, parece simples: a adesão massiva ao trabalho remoto tem desencadeado uma queda de produtividade dos colaboradores.
Pesquisas apontam queda na produtividade do home office
De acordo com o portal IT Forum (08/08), uma pesquisa da Microsoft com 20.000 pessoas em 11 países demonstrou que 85% dos líderes empresariais enfrentam dificuldades para confiar na produtividade dos colaboradores em um ambiente híbrido.
Esse choque de percepções fica mais evidente ao contrastarmos a realidade atual com o período de crise sanitária, quando a produtividade apresentou crescimento.
Ainda de acordo com a pesquisa, entre o segundo trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021, a produtividade do trabalho registrou um aumento de 1,8%, em comparação com a média anual de crescimento de 1,4% observada entre os anos de 2005 e 2019.
No entanto, no primeiro trimestre de 2023, os Estados Unidos experimentaram uma queda de 2,1% na produtividade do trabalho, mesmo com um aumento de 2,6% no número de horas trabalhadas. Esses dados foram coletados pela Bureau of Labor Statistics (BLS).
Esse declínio sinaliza os desafios inerentes à adaptação das empresas ao modelo híbrido, enquanto buscam encontrar um equilíbrio entre o trabalho presencial e remoto.
Outra pesquisa aponta um levantamento que trouxe ainda as maiores dificuldades em relação ao trabalho flexível e remoto. Trata-se da 4ª edição da Pesquisa de Trabalho Flexível e Remoto 2022 da Mercer Brasil, publicada no G1 (12/05). Realizada com profissionais de RH de 365 empresas de todos os portes, entre os desafios encontrados estão:
- 76% das empresas citaram insegurança em relação à produtividade dos colaboradores neste formato;
- 66% afirmaram que o excesso de reuniões está entre as principais dificuldades do trabalho remoto;
- 51% apontaram que têm dificuldade no acompanhamento de profissionais iniciantes na carreira;
- 61% dos entrevistados consideram o posicionamento da liderança como dificuldade para implantação de modelos flexíveis;
- 52% apontam que a cultura organizacional é o maior impeditivo.
No final das contas, a trajetória da Zoom e de outras empresas de tecnologia, assim como de diversos outros setores, em direção a uma abordagem híbrida e bem definida, reflete a complexidade de gerenciar uma força de trabalho em plena transformação.
A crise passada, ao impulsionar a adoção do trabalho remoto, abriu caminhos para uma colaboração renovada. No entanto, a busca por produtividade e eficiência operacional agora está no centro das estratégias corporativas. Isso nos leva a uma situação em que a evolução das práticas de trabalho continua a se desdobrar.
Vale considerar também a avaliação de especialistas quanto aos benefícios encontrados no retorno ao ambiente de trabalho presencial. Eles passam por inovação, aprendizado e conexões interpessoais. Para saber mais, leia artigo: Benefícios da retomada dos escritórios: estudos recentes apontam redução do home office
Por fim, o futuro promete um ambiente no qual as tecnologias da comunicação e da colaboração moldarão a nova normalidade, uma vez que valoriza tanto a flexibilidade quanto a conexão física.
Texto produzido por: Renan Prado, consultor de negócios da RealtyCorp.

Com mais de 12 anos de experiência na área financeira, atuando no mercado de varejo/comércio e indústria, Renan Prado possui, ainda, vasta atuação na tesouraria de uma multinacional em Curitiba.Também dispõe de amplo conhecimento das operações de câmbio e captação de recursos. Além disso, se destaca pelas habilidades de negociação e comunicação direta com os principais players do mercado e bom relacionamento com grandes bancos. É formado em Gestão Financeira pela universidade UniCuritiba e atua na RealtyCorp desde o início de 2022.

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