Antes das eleições, o clima político-econômico no Brasil já estava tenso. Isso porque as consequências trazidas pela pandemia afetaram diversos setores, geraram o aumento dos juros e os investimentos no mercado imobiliário corporativo caíram sensivelmente.
Diante da polarização política e dos embates entre direita e esquerda, o país se tornou instável e imprevisível.
Após o segundo turno da disputa presencial, que deu vitória ao candidato da esquerda, as incertezas acerca dos rumos da política fiscal, já preocupa o mercado.
Já se cogita, inclusive, uma taxa Selic em 15% na primeira metade de 2023, conforme a curva de juros futuros.
Não podemos esquecer, entretanto, que a escolha dos novos ministros ainda não foi feita (anunciada). E que, se ela for tomada de maneira racional e coerente, considerando as necessidades reais do Brasil, a economia pode crescer em 2023. Ainda que de forma mais lenta.
Especulações à parte, fato é que todos os eleitores que votaram a favor ou contra o novo governo querem a mesma coisa: que a economia continue a se recuperar. E que o Brasil cresça. Nenhum de nós deseja que o barco afunde (estamos todos nele).
Logo, também desejamos que as empresas continuem produzindo e vendendo seus produtos e serviços e que os empregos continuem a ser criados, aumentando a renda das famílias. Este é o cenário ideal para o Brasil continuar a se recuperar da crise que a Covid-19 causou.
Vimos recuperação e avanços em 2022
Quando se pensa no mercado imobiliário corporativo, apesar dos desafios enfrentados inerentes à crise sanitária e fatores econômicos, a resiliência do setor também esteve presente.
Prova disso são alguns resultados melhores do mercado de escritórios paulista no universo Classe A/A+ (alto padrão) apresentados no 3T/2022.
Tanto o estoque total quanto o estoque ocupado aumentaram. O primeiro – estoque total – era 4,691 milhões de m² no 2T/2022 e chegou a 4,712 milhões de m² no 3T/2022.
O estoque ocupado era de 3,685 milhões de m² no 2T/2022 e alcançou 3,700 milhões de m² no 3T/2022.
Já a absorção líquida, como trouxemos em conteúdos anteriores e no último RealtyCorp Analytics, foi positiva pelo quinto trimestre consecutivo. Além disso, chegou a 185 mil m² na somatória dos últimos cinco trimestres. Esse resultado é muito bom para o setor.
E vale também destacar que não foi apenas o setor de escritórios de São Paulo a ter resultados melhores no 3T/2022.
O mercado logístico em todo o Brasil segue crescendo e com boas perspectivas. Composto por 712 condomínios logísticos e industriais, possui atualmente mais de 30 milhões de m² de estoque total. Aumentou um milhão do 2T para o 3T de 2022.
Como resultado desta grande movimentação, os números de entrega de novos condomínios logísticos e industriais no Brasil segue batendo números impressionantes, ano a ano.
Apenas o mercado logístico de São Paulo ganhou 9 novos empreendimentos logísticos no 3T/2022 (todas as classes). Com isso, o estoque total subiu para mais de 16 milhões de m².
Novas previsões para o PIB e Selic
De acordo com notícia publicada nesta semana no portal Uol, o Boletim Focus divulgado no dia 28/11, mostrou nova alta no cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, ainda que marginal, mas estabilidade na projeção para 2023.
A mediana para o crescimento do PIB em 2022 subiu de 2,80% para 2,81% contra 2,76% há um mês. Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 continuou em 0,70% ante 0,64% um mês antes.
O Relatório Focus ainda mostrou manutenção na projeção para o crescimento do PIB em 2024, em 1,70%. Para 2025, a mediana foi mantida em 2,00%.
Segundo explica Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central (em matéria da CNN Brasil), o novo governo eleito está decidindo primeiro indicar o aumento de gastos que ocorrerá nos próximos anos, sem indicar como esse gasto será financiado. Logo, isso, tende a ser um problema a ser resolvido.
O especialista explica que há três formas de financiamento de gastos novos: aumento de tributos, cortes em outras despesas ou uma combinação de inflação mais juros.
Ele ainda destaca acreditar ser improvável que a Selic chegue de fato a 15% no próximo ano como tem se especulado, mas que o comportamento do mercado é um importante alerta para o governo.
Seja como for, as taxas de juros, o crescimento ou retração do PIB e as oscilações da Selic são índices importantes para viabilizar (ou não) os investimentos do setor imobiliário.
Inevitavelmente, alguns negócios imobiliários serão deixados para o ano que vem – a depender da melhora da economia – e estarão debaixo de muita cautela por parte dos investidores.
Não podemos esquecer, no entanto, que a recuperação que o mercado imobiliário corporativo apresentou em 2022 é muito interessante. Uma absorção líquida positiva por cinco trimestres consecutivos na cidade de São Paulo não é algo pequeno diante de tantos desafios enfrentados.
Além disso, os investidores/incorporadores já planejavam novos projetos para os próximos anos, iniciando em 2023, principalmente no mercado logístico.
Agora, porém, com essa instabilidade política econômica pela qual passa o Brasil, a tendência é que novos investimentos no setor sejam adiados por mais alguns meses, aguardando as decisões iniciais do novo governo e observando qual rumo a economia brasileira seguirá.
Texto produzido por: Renan Prado, consultor de negócios da RealtyCorp.

Com mais de 12 anos de experiência na área financeira, atuando no mercado de varejo/comércio e indústria, Renan Prado possui, ainda, vasta atuação na tesouraria de uma multinacional em Curitiba.Também dispõe de amplo conhecimento das operações de câmbio e captação de recursos. Além disso, se destaca pelas habilidades de negociação e comunicação direta com os principais players do mercado e bom relacionamento com grandes bancos. É formado em Gestão Financeira pela universidade UniCuritiba e atua na RealtyCorp desde o início de 2022.
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