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Após um longo e desafiador período, o setor imobiliário brasileiro ganhou impulso nos últimos anos e tem atraído a atenção de investidores em 2023. Para se ter uma ideia, uma notícia da revista Exame, datada de 28 de setembro de 2023, aponta que as incorporadoras e construtoras listadas na bolsa aumentaram seu valor de mercado em mais de R$ 21,176 bilhões neste ano. Esse resultado superou até mesmo outros setores importantes, como alimentos (que incluem os frigoríficos) e mineração.

Esse valor foi levantado em um estudo realizado pela Economática, que considerou o período de 31 de dezembro de 2022 até 22 de setembro de 2023, e levou em consideração todas as 37 empresas do segmento imobiliário listadas na B3, incluindo companhias de construção civil e exploração de imóveis.

De acordo com a matéria, em dezembro do ano passado, o setor somava R$ 55,696 bilhões em valor de mercado. Já no fechamento da sessão em setembro deste ano, o número saltou para R$ 76,872 bilhões, representando um aumento de R$ 21,176 bilhões, o que equivale a uma valorização de 38,02%.

Uma das razões fundamentais para esse resultado expressivo é a redução da taxa básica de juros, a Selic. É importante lembrar que o primeiro corte na Selic, juntamente com a perspectiva de novas reduções nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), se somou à queda da inflação, à taxa de desemprego mais baixa e às novas regras para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Esses fatores proporcionaram um grande impulso ao setor.

Embora esses resultados animadores sejam observados principalmente no mercado residencial, é importante reconhecer que os setores se influenciam mutuamente. Quando um setor está em alta, isso tende a afetar positivamente o outro, no que diz respeito ao ciclo imobiliário.

Impacto do setor residencial nas perspectivas do setor imobiliário corporativo

O mercado imobiliário corporativo já se consolidou como um setor resiliente, que, embora dependa de fatores externos para manter sua estabilidade e crescimento, consegue superar desafios únicos. A crise sanitária é um exemplo notável dessa adaptabilidade.

Em termos gerais, é possível acompanhar com relativa facilidade os ciclos vivenciados pelo setor nos últimos anos, passando por diversas fases e desafios. Houve crises significativas, aquecimento considerável, altos níveis de vacância, vacância baixa, aumento de estoque, entre outros fatores.

Agora, à medida que nos aproximamos do final do ano e os olhos se voltam para o futuro, é importante ressaltar que não é possível prever com precisão o desfecho do ciclo. No entanto, considerando os indicadores e eventos específicos que de tempos em tempos impactam o mercado imobiliário, podemos dizer que ele é influenciado por uma ampla variedade de fatores, incluindo econômicos, políticos e sociais.

Alguns desses fatores devem ser levados em consideração ao pensar no que pode acontecer no próximo ano, como:

Economia global e local: a saúde econômica global e local desempenha um papel crucial no mercado imobiliário. O desempenho econômico, as taxas de juros, as políticas governamentais e o desemprego podem afetar a demanda e os preços imobiliários.

Taxas de juros: as mudanças nas taxas de juros podem afetar a acessibilidade dos empréstimos para a compra de imóveis e novos investimentos. Taxas mais baixas podem incentivar a compra, enquanto taxas mais altas podem desencorajar.

Tecnologia e inovação: a tecnologia continua a impactar o mercado imobiliário, com soluções digitais inovadoras, inteligência artificial, realidade virtual e blockchain desempenhando papéis significativos.

Políticas governamentais: as políticas do governo em relação a incentivos fiscais, regulamentações de construção e outras medidas podem influenciar o mercado imobiliário.

Sustentabilidade e responsabilidade social: a crescente conscientização sobre questões ambientais e sociais pode influenciar as escolhas de propriedades, com uma inclinação para propriedades sustentáveis e socialmente responsáveis.

Alcançando o equilíbrio no mercado imobiliário de escritórios

O Analista de Investimentos da Empiricus Research, Caio Nabuco de Araújo, em um artigo para o portal Seu Dinheiro datado de 01 de outubro, destaca que o mercado de lajes corporativas não vive seu melhor momento na história. Segundo ele, a indústria ainda não absorveu completamente a entrega de empreendimentos da década passada, quando a chegada do home office interrompeu o ritmo de ocupação.

No entanto, ele observa que, embora a velocidade de absorção esteja abaixo do esperado, é praticamente unânime a percepção de que o pior já passou. Isso se deve ao fato de que já são sete trimestres consecutivos de absorção líquida positiva para os empreendimentos corporativos. Alguns fundos conhecidos do setor, como Tellus Properties (TEPP11) e Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11), aumentaram significativamente suas taxas de ocupação nos últimos dois anos.

Com o volume de novos empreendimentos diminuindo nos próximos anos, devido à absorção lenta e aos altos custos de financiamento, espera-se uma continuidade do aumento da ocupação, em consonância com a perspectiva de crescimento doméstico.

Além disso, estudos apontam que, considerando o nível de oferta e a tendência dos últimos dez anos no setor corporativo, há a possibilidade de se aproximar da taxa de ocupação de edifícios Classe A e A+ para a média histórica (em torno de 14%) a partir de meados de 2024. Isso significa que o setor está se aproximando dessa realidade.

Nesse cenário, os aluguéis não devem retornar aos níveis máximos históricos de 2012 tão cedo, mas podem indicar um movimento em direção a preços mais “sustentáveis” após 2025.

O analista acredita na recuperação desse mercado, embora sinalize que o setor ainda terá taxas de vacância elevadas por um bom tempo. Ele destaca a importância de uma estratégia seletiva para alocação na categoria, com base na qualidade dos ativos e, principalmente, na localização.

Para obter uma visão mais precisa do que esperar no próximo ano e nos próximos ciclos do setor imobiliário, é fundamental monitorar os fatores mencionados anteriormente (taxa de juros, investimentos, economia global, etc.) e consultar especialistas, economistas, investidores e outros profissionais que acompanham de perto o mercado. Além disso, em breve, teremos dados mais precisos para analisar os resultados do terceiro trimestre de 2023 no RealtyCorp Analytics. Fique atento!


Texto produzido por: Redação RealtyCorp

1 Comment

  • Carlos, 19 de outubro de 2023 @ 11:15 Reply

    Tenho um prédio Monousuario na região da Berrini pra locação ou venda

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