Notícias recentes trazem estudos e pesquisas sobre o retorno aos escritórios, revelando a percepção das empresas que desejam que suas equipes voltem ao trabalho presencial com maior frequência, em detrimento do home office, prática agora menos adotada por profissionais em sua totalidade.
Levantamento do FGV Ibre, citado em uma matéria do G1 (17/03), revelou que o número de empresas que ainda adotam o regime home office diminuiu. Em 2021, 57,5% das empresas no Brasil estavam com seus colaboradores trabalhando de casa, de forma parcial ou total, incluindo aquelas que já faziam uso da modalidade antes da pandemia de Covid-19. No entanto, em outubro de 2022, esse percentual caiu para 32,7%.
Além disso, de acordo com o mesmo estudo, a porcentagem de trabalhadores com pelo menos um dia de home office diminuiu de 55,5% em 2021 para 34,1% em 2022.
Esse dado reflete uma maior participação dos funcionários nos escritórios, especialmente nos principais centros urbanos e comerciais das grandes cidades.
A FGV ressalta que a redução no percentual de trabalhadores em home office pode estar diretamente relacionada à diminuição das restrições impostas pela pandemia entre 2020 e 2021.
Home office pode impactar na produtividade?
Também de acordo com estudos recentes, o modelo home office pode ter impactos diferentes na produtividade. Em 2021, 21,6% das empresas relataram aumento na produtividade dos colaboradores, enquanto 19,4% apontaram redução.
Já em 2022, o número de empresas que perceberam aumento na produtividade subiu para 30%, enquanto aquelas que observaram redução diminuíram para 10,2%.
No entanto, uma pesquisa da Mercer Brasil, publicado na Folha de S.Paulo (21/05), mostrou que 76% das empresas ainda se sentem inseguras em relação à perda de produtividade no trabalho híbrido ou totalmente remoto.
Entre as principais reclamações estão o excesso de reuniões (66%) e a dificuldade de acompanhar o desenvolvimento de profissionais iniciantes (51%).
Apesar disso, 70% dos funcionários desejam manter o trabalho híbrido, alternando entre escritório e casa e, na outra ponta, muitos líderes preferem ter mais pessoas no escritório.
As empresas têm optado por trazer os funcionários de volta aos escritórios para manter a cultura empresarial, desenvolver a colaboração e a comunicação, e avaliar a produtividade das equipes de forma mais direta.
Benefícios apontados por especialistas
Em resumo, os impactos do home office na produtividade variam e dependem de diversos fatores. Enquanto alguns relatam aumento na produtividade, outros enfrentam desafios como os citados acima.
O que temos observado é que as empresas buscam um equilíbrio entre o trabalho remoto e o presencial, considerando as preferências dos funcionários e os objetivos organizacionais.
Alguns dos benefícios apontados por especialistas em relação ao trabalho em escritório são:
Colaboração e comunicação: Muitas empresas acreditam que a interação face a face entre os funcionários é essencial para promover uma colaboração eficaz e uma comunicação mais fluida. O contato pessoal facilita a troca de ideias, a resolução de problemas complexos e o trabalho em equipe. Além disso, também ajuda a construir relacionamentos mais sólidos, o que é geralmente mais difícil de alcançar no ambiente remoto.
Cultura empresarial: O ambiente de escritório é considerado por algumas empresas como uma extensão de sua cultura organizacional. Ao reunir os funcionários no mesmo espaço físico, elas buscam promover uma maior identificação com os valores e a missão da empresa, além de fortalecer o sentimento de pertencimento e coesão da equipe. Quando os colaboradores estão em suas casas, longe do ambiente de escritório, essa premissa pode se perder, o que pode ser prejudicial tanto para a empresa quanto para o funcionário.
Aprendizado e desenvolvimento: Os escritórios podem oferecer oportunidades valiosas de aprendizado e desenvolvimento profissional. A proximidade com colegas mais experientes e a possibilidade de participar de treinamentos presenciais podem contribuir para o crescimento dos funcionários e o compartilhamento de conhecimentos. O ambiente físico envolve as equipes, permitindo a troca de ideias, novas experiências e desenvolvimento individual e coletivo.
Produtividade e supervisão: Algumas empresas acreditam que os funcionários são mais produtivos quando estão no ambiente de trabalho tradicional, onde há uma supervisão mais direta. O contato próximo com os gestores pode facilitar a monitoração do progresso dos projetos, o gerenciamento de tarefas e a resolução rápida de problemas. Além disso, é nesse relacionamento e convívio mais próximo que o colaborador pode se destacar e alçar novos voos.
Infraestrutura e recursos: Algumas empresas possuem infraestrutura e recursos especializados que não podem ser facilmente replicados em um ambiente de trabalho remoto. Isso pode incluir equipamentos específicos, laboratórios, estúdios de gravação e outros recursos essenciais para o funcionamento da empresa. Além disso, a adaptação do ambiente doméstico para criar um miniescritório ou estúdio pode acarretar custos adicionais para os colaboradores.
Embora os benefícios citados pelos especialistas sejam importantes, vale ressaltar que cada empresa em seu contexto pode ter suas próprias necessidades e considerações quanto ao trabalho presencial ou remoto. A escolha entre os dois modelos pode depender de diversos fatores, como a natureza do trabalho, a cultura organizacional e as preferências individuais dos funcionários.
Modelo presencial tende a expandir
É importante ressaltar que o modelo híbrido de trabalho, que combina presencial e remoto, continua sendo adotado por muitas empresas no Brasil. Essa modalidade tem sido reconhecida pelos benefícios que oferece, como flexibilidade, redução de custos, economia de tempo em deslocamentos e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Dessa forma, como mencionado anteriormente, a decisão de retornar completamente ao escritório ou manter o trabalho híbrido varia de acordo com as necessidades, políticas e preferências de cada empresa.
No entanto, é importante ressaltar que o modelo híbrido já se estabeleceu como uma realidade e dificilmente será descartado. O que pode ser alterado é a quantidade de dias em que os colaboradores trabalham remotamente.
No momento atual, especialistas entendem que muitas empresas desejam um retorno completo ao trabalho presencial, porém, é necessário buscar um equilíbrio que não seja imposto de forma abrupta. É importante considerar também a dinâmica que melhor atenda às necessidades dos colaboradores.
Assim, embora o modelo presencial possa se expandir, é provável que a flexibilidade e a combinação de trabalho remoto e presencial permaneçam como parte da realidade das empresas, adaptando-se às novas demandas e circunstâncias do mercado de trabalho.
Texto produzido por: Renan Prado, consultor de negócios da RealtyCorp.

Com mais de 12 anos de experiência na área financeira, atuando no mercado de varejo/comércio e indústria, Renan Prado possui, ainda, vasta atuação na tesouraria de uma multinacional em Curitiba.Também dispõe de amplo conhecimento das operações de câmbio e captação de recursos. Além disso, se destaca pelas habilidades de negociação e comunicação direta com os principais players do mercado e bom relacionamento com grandes bancos. É formado em Gestão Financeira pela universidade UniCuritiba e atua na RealtyCorp desde o início de 2022.

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