No início de 2020, passamos por uma mudança compulsória nas nossas relações de trabalho. Saímos dos escritórios e empresas com ar-condicionado e mesas específicas, e nos instalamos em nossas casas, com demandas domésticas se misturando ao corporativo.
Alguns profissionais detinham de mais; outros, de menos infraestrutura para suas atividades, além de tecnologia ou familiaridade com o novo modelo. A realidade é que uma grande parte dos profissionais precisou se ajustar para manter o ritmo.
Durante esse período, o futuro dos escritórios foi posto em xeque, sobretudo quando houve a redução ou devolução de espaços comerciais em São Paulo, agravada por notícias com rumores de que os escritórios “seriam fechados”.
No entanto, os ventos mudaram o curso da embarcação. E agora, com o advento do pós-pandemia, todos já estão vislumbrando uma realidade mais próxima do que era antes.
A exemplo disso, notícia do Estadão (19/08) aponta que, além da volta ao trabalho presencial durante mais dias por semana, e o aquecimento da economia, a demanda por escritórios de alto padrão na cidade de São Paulo no segundo trimestre do ano foi elevada. Isso também aconteceu em outras capitais.
No setor de saúde, por exemplo, a Rede D’Or alugou um prédio inteiro de escritórios na capital paulista, na Alameda Santos, nos Jardins. A escola de negócios G4 Educação dobrou de tamanho e alugou um andar inteiro de um dos prédios mais icônicos da região da Avenida Luís Carlos Berrini, o Thera Corporate.
E a construtora Plano&Plano fechou contrato de locação de 2 mil metros quadrados de escritório em um edifício recém-construído no Butantã. O novo escritório é duas vezes maior do que o atual, localizado no Brooklin.
Segundo especialistas, a tendência é que o movimento de ampliação de espaços de escritórios ganhe força nos próximos meses também por causa do início do ciclo de queda da taxa básica de juros, que deve impulsionar a atividade.
Vagas híbridas diminuem
Artigo publicado no LinkedIn (03/2023) aponta que as vagas remotas estão, de fato, diminuindo. De acordo com dados do LinkedIn Economic Graph, em fevereiro deste ano quase 25% das vagas remuneradas publicadas na rede mencionaram a possibilidade de trabalhar remotamente.
Em fevereiro de 2022, um ano antes, as vagas remotas eram 38.99% do total.
Sylvia Hartmann, LinkedIn Top Voice e consultora de empresas para o trabalho em Home Office e Híbrido, diz que o movimento das empresas, voltando ao escritório ou aumentando a frequência presencial no modelo híbrido, é frequente.
Para ela, o momento de instabilidade econômica despertou a necessidade das companhias de trazer os funcionários de volta ao presencial.
“As pessoas sentem que produzem em casa, mas os líderes não têm essa segurança. A necessidade de controle, às vezes inconsciente, tem fomentado esse retorno. O híbrido tem grande potencial, mas se adequar ao modelo e ver seus benefícios não acontece instantaneamente”, explica.
A dificuldade para manter a cultura no modelo remoto é uma das hipóteses levantada por Nathalya Haywood, especialista em recrutamento com foco em vagas remotas e internacionais na Anywhere Recruiting, para o sumiço das vagas desse tipo nos Estados Unidos. Para saber mais, leia: Benefícios da retomada dos escritórios: estudos recentes apontam redução do home office
“As vagas existem ainda, mas estão muito mais competitivas. No geral, se fala mais de vagas híbridas e com três dias da semana no escritório”, diz.
Mesmo que a diminuição das vagas remotas seja má notícia para alguns profissionais, a predileção pelo modelo não é unânime. Segundo pesquisa do Datafolha em dezembro, com profissionais de todo o país, 28% dos entrevistados preferem o sistema híbrido e 45% optam pelo presencial.
Outra pesquisa publicada na Exame (03/2023) mostra um estudo que ouviu 400 profissionais no Brasil, entre novembro e dezembro do ano passado. Destes, 27% dos trabalhadores atuavam presencialmente entre 2020 e 2021. Em 2022, esse número quase dobrou, saltando para 45%.
Em contrapartida, o trabalho híbrido, caiu de 56% para 43%. Por fim, o trabalho totalmente remoto também despencou e agora só 12% dos profissionais estão 100% em home office. Entre 2020 e 2021 o patamar era de 25%.
Outra notícia do portal Monitor Mercantil (06/2023) ressalta que mais de 56% dos colaboradores do país adotaram o modelo de trabalho híbrido, enquanto somente 19% continuam atuando de forma integralmente remota.
A importância do retorno ao ambiente corporativo
Esses dados e a nova reorganização do trabalho mostram que o momento é de mudança do perfil do trabalho híbrido. Não à toa, diversas empresas já sinalizaram que vão voltar a trabalhar mais dias no escritório. Outras já promoveram esta mudança.
Hoje, o mercado entende que muitos setores perderam com a baixa eficiência no trabalho das equipes a distância. Daí a grande tendência entre as empresas do retorno majoritário aos trabalhos presenciais que, na outra ponta, é comprovada pelo novo volume de m² ocupados na cidade. Para saber mais, leia: Mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo entrega 130 mil m² de novo estoque no 2T ante estoque zerado no 1T
Outro ponto que turbina a procura por locação de espaços é a mudança do layout dos escritórios. No pós-pandemia, por questões sanitárias, a tendência é de expansão da área das estações de trabalho.
Além disso, com a melhora da economia e a redução do desemprego, ter um escritório convidativo passou a ser um dos fatores para reter os funcionários. As empresas não estão buscando apenas prédios novos ou lajes grandes, mas consideram de suma importância a oferta de serviços, localização, transporte e infraestrutura de cada região.
A resposta dada pelas grandes empresas de tecnologia – como Google, Meta, Apple, Salesforce, IBM, Gmail e, mais recentemente, o Zoom, para trazer suas equipes de volta ao presencial parece ser mais simples do que parece: o retorno massivo aos escritórios está acontecendo devido à queda de produtividade no home office. Para saber mais, leia artigo: Mudança de paradigma: Zoom e a transição do trabalho remoto para o presencial
Contudo, vale destacar que, apesar de campeão na preferência dos profissionais, o modelo de trabalho híbrido também traz desafios. O primeiro e mais óbvio, é como manter a conexão e a cultura dos times a distância.
Além disso, as cidades e os negócios estão estruturados, com muitos empreendimentos oferecendo infraestrutura de serviços, transporte e benefícios justamente para atender essa demanda pujante.
Com isso, embora o trabalho híbrido permaneça e já seja uma realidade consolidada, o movimento do trabalho presencial na cidade de São Paulo já se tornou, notoriamente, a maioria, o que nos fez voltar a patamares mais parecidos com o que tínhamos na pré-pandemia. Em suma, temos retomada à normalidade ora conhecida.
Texto produzido por: Redação RealtyCorp

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